Uma abordagem para nos relacionarmos melhor conosco e com o outro, na vida pessoal e profissional.

“Desenvolvi a Comunicação Não-Violenta (CNV) como uma maneira de fazer brilhar a luz da consciência – condicionar minha atenção a se concentrar em pontos que tenham o potencial de me dar o que procuro. O que almejo em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração.”

“A CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos mesmo em situações adversas.”

As citações acima são de Marshall B. Rosenberg, psicólogo americano, e estão em seu livro Comunicação Não-Violenta.

O propósito da CNV é cultivarmos e fortalecermos a conexão humana genuína. Possibilita reformularmos a maneira como pensamos, expressamos e escutamos, para nos relacionar conosco, com os outros e com os sistemas nos quais estamos inseridos com mais responsabilidade, autenticidade, generosidade, respeito e empatia.

Estamos habituados a nos comunicar focando no que está de errado com o outro ou conosco, avaliando e rotulando, em vez de nos atentarmos e expressarmos o que realmente queremos. Como por exemplo: “Você nunca me ouve, você é desatento” (fala padrão de apontar o dedo para o outro). Esse modelo de comunicação está desconectado tanto dos outros, quanto de nós mesmos. Com base na CNV, o que pensamos, sentimos e fazemos acontece sempre a partir das nossas necessidades humanas universais, como pertencimento, inclusão, afeto, consideração, parceria, abrigo e tudo o que é essencial para estarmos bem. Nesta situação poderíamos reformular a frase considerando as necessidades de escuta, entendimento, compreensão e aumentar as chances de vermos tais necessidades atendidas, expressando: “É importante para mim que entenda claramente o que estou dizendo. Você tem disponibilidade para me ouvir por cinco minutos?”

Quando nos relacionamos buscando este denominador comum (as necessidades humanas), independentemente de concordarmos ou não com a fala ou comportamento das pessoas, aumentamos a disponibilidade e receptividade para dialogar e encontrar soluções para conflitos e desafios, considerando todos os envolvidos na situação.

Para ampliar a autoconsciência, nos expressarmos com autenticidade e escutarmos com presença e empatia, Marshall sistematizou um guia prático com quatro componentes:

1. Observação: as ações concretas que estamos observando e que afetam nosso bem-estar. Focamos naquilo que vemos, ouvimos ou tocamos, sem avaliação. Separamos o fato observável, da interpretação que fazemos deste fato.
2. Sentimentos: como nos sentimos em relação ao que estamos observando.
3. Necessidades: valores, desejos que estão gerando nossos sentimentos.
4. Pedidos: ações concretas que pedimos para enriquecer nossas vidas.

Para ficar mais claro, segue um exemplo de uma comunicação habitual e de como pode ser repensada e expressada por meio dos quatro componentes:

Fala habitual:“Roberto, você nunca faz o que eu peço, não respeita os prazos. Já pedi mil vezes e avisei, desde a semana passada, que esse relatório é para hoje e nada de você me enviar.”

Observação:“Roberto, desde a semana passada já deixei quatro avisos de que preciso do relatório para hoje e ele ainda não foi entregue.
Sentimento: Estou um pouco aflito e ansioso,
Necessidade:pois preciso de consideração, colaboração e respeito ao prazo que combinamos.
Pedido:Seria muito bom para mim que entregasse o relatório até as 15h. É possível para você?”

O pedido é um convite para uma decisão conjunta sobre o horário de entrega do relatório, em que as necessidades e possibilidades da outra pessoa também sejam consideradas. O engajamento e colaboração podem ser maiores quando as pessoas compartilham do poder de decisão, do que quando há uma imposição.

Para a escuta empática utilizamos os quatro componentes para compreender o que está por trás de uma fala ou atitude, escutando sentimentos, necessidades e pedido. Considerando o exemplo acima, podemos demonstrar que queremos conectar e abrir um diálogo com empatia, por meio de uma pergunta: “Você está aflito pois quer ter certeza de que compreendi o quanto o prazo é importante para você e que entregarei o relatório hoje?”

Esta abordagem da CNV, que cada vez mais está sendo utilizada no universo corporativo, fomenta a inclusão, confiança, senso de pertencimento e de equipe, interdependência, equanimidade, colaboração, entre outras qualidades cada vez mais necessárias para termos relações baseadas no ganha-ganha. Amplia o bem-estar mental e emocional, valorização de cada integrante da empresa, engajamento e fortalecimento da responsabilidade e colaboração na busca conjunta em atingir os objetivos desejados. Favorece relacionamentos mais assertivos e harmoniosos, experiências diferenciadas, empáticas e efetivas com o cliente interno e externo; reuniões produtivas e eficazes; práticas de feedbacks construtivos; solução de conflitos e situações de estresse, dentre outras.

Na Comunik, a CNV tem sido cada vez mais experienciada na nossa maneira de nos relacionar internamente, entre todas as colaboradoras, em nossa atuação, com nossos clientes, bem como nas capacitações e têm sido incríveis os resultados atingidos.

A CNV integrada ao trabalho de aprimoramento das ferramentas de comunicação como a qualidade de escuta, corpo, voz, conteúdo, fala e equilíbrio emocional propiciam uma atuação potente para o aprimoramento dos relacionamentos intra e interpessoais, favorecendo um ambiente mais produtivo e harmonioso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *